[11] A CIA e o Culto da Inteligência, Victor Marchetti e John Marks, Nova Fronteira (1974?), Prefácio de Paulo Francis, pags. 32, 51, 139, 249-53, 288-9. Conforme assinalado, “Toda sugestão importante da CIA para uma ação secreta – inclusive subvenções para líderes políticos estrangeiros, partidos políticos, publicações, interferência nas eleições, grandes atividades de propaganda e operações paramilitares – ainda tem que ser aprovada pelo Presidente ou pela Comissão dos 40. O quase onipresente Kissinger preside a esta Comissão, tal como também chefia os três outros principais grupos da Casa Branca que supervisionam a comunidade de inteligência” (pag. 250). Ou seja, Henry Kissinger controlava a comunidade de inteligência ao mesmo tempo em que era Secretário de Estado (Diplomacia) do governo Nixon.



[12] O Governo Invisível, David Wise e Thomas Ross, Civ. Brasileira, 1964, pgs. 3-4, 273-4.

De acordo com as declarações de Cooper, o Presidente Truman criou o Grupo 5412 (Memorandum Executivo NSC 5412/1, de março de 1955) para desviar a atenção pública da criação já efetivada do Comitê Majority 12 (Memorandum Executivo NSC 5410, de 1954). Ambos os grupos faziam a coordenação de inteligência, ambos eram liderados por Nelson Rockefeller, e ambos foram chamados de Grupo Especial. O Grupo 5412, entretanto, tinham funções menores ou decorativas, enquanto o Majority 12 reunia os principais chefes militares, de inteligência, e alguns acadêmicos ligados ao Council on Foreign Relations.



[13] Segundo Cooper, a sigla MJ-12 significa realmente Majority 12: o nome Majestic 12 foi assim utilizado como uma típica operação de contra-inteligência para mascarar o significado da sigla.
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PODER SECRETO E CIDADANIA

Ciro Moroni Barroso

Tribuna de Petrópolis

19 / Dezembro / 1993     [revisão e notas, 1999]


Um dos melhores documentos sobre o poder secreto norte-americano é o relatório de Victor Marchetti A CIA e o Culto da Inteligência. Marchetti ocupava um posto alto no Gabinete do Diretor da CIA em 1969, quando resolveu se desligar, vindo a escrever este relatório, que tem o peso de uma dissidência política. Quando fazia o esboço do livro em 1972, o autor foi pressionado judicialmente pela direção da CIA (Richard Helms) para que não o escrevesse. Marchetti solicitou ajuda à União Americana de Liberdades Civis, e ao co-autor John Marks, que servira no Departamento de Estado. O livro acabou saindo pela Editora Knopf em 1974, com 168 passagens censuradas em consequência dos recursos obtidos pela direção da CIA (Willian Colby).

Dentre as diversas informações preciosas estampadas no livro está a confirmação da existência de um Grupo Especial ou Comissão dos 40 [11] que é responsável pelas decisões de alto nível de inteligência nos Estados Unidos, bem acima do Conselho de Segurança Nacional, que foi criado em 1947 para controlar a CIA e fazer a política de inteligência. Este grupo já havia sido apontado como Grupo 5412, de 1954, [12] e tem sido reconhecido ao longo do tempo segundo os diversos nomes e constituintes que recebe em cada administração: MJ-12, Comitê 303, PI-40, e assim por diante. Em 1989, um outro dissidente da inteligência militar, Milton Willian Cooper, que havia feito carreira na Aeronáutica, servindo depois na inteligência naval durante a Guerra do Vietnã, revelou que a verdadeira razão para a criação do Grupo 5412 durante o governo Eisenhower, foi a necessidade de se administrar a nível secretíssimo e estratégico a interação com estranhos visitantes extraterrenos que começaram a aparecer com suas naves acidentadas no deserto do Novo México em 1947.

Muita gente, quando ouviu, e ouve, esta informação, mostra-se perplexa e incapaz de acreditar em sua possível veracidade. No entanto, é claro que a ocorrência de tal fato, com todas suas terríveis implicações culturais e políticas, só poderia ser necessariamente tratado pelas autoridades das grandes potências desta forma, através de grupos especiais de inteligência científica e militar. A criação do grupo 5412 seguiu-se à formulação do eufemismo “ufo”, imposto pela CIA em 1953 aos oficiais da Força Aérea que estavam prestes a abrir ao público as informações que dispunham sobre os discos voadores, o que acarretaria mudanças culturais e crise de poder. Estes oficiais, censurados, se tornaram os primeiros dissidentes de um processo que se estende e se agrava até nossos dias.

A perplexidade dos profissionais de comunicação, o ceticismo nos meios científicos, e a ignorância do público em geral é apenas a consequência da política de severa censura imposta durante estes 40 anos, sendo toda a questão “embalsamada” com a uso do eufemismo “fenômeno-ufo”, que permite se abordar o problema sempre de uma forma nebulosa e imprecisa, não se deixando revelar que ele se tornou um aspecto decisivo na criação dos novos e sofisticados sistemas de inteligência militar das grandes potências no pós-guerra. Não se trata somente de administrar os cascos arrebentados de naves e os corpos de extraterrenos acidentados em solo terreno, mas da política de uma interação regular que escapa às possibilidades de descrição num artigo de jornal. Segundo Milton Cooper, a idéia de uma Operação Majestic 12 que foi vendida ao público (no Brasil em livro publicado pela Ed. Mercuryo) não passa de uma fraude de contra-informação com o intuito de mascarar a verdadeira função do Grupo Especial, também identificado pela sigla MJ-12. [13]

          * * *

Quando de nossa palestra no dia 4 de Outubro no Centro de Cultura, um Major da reserva da Aeronáutica brasileira apareceu para dizer que havia se encontrado no início do ano em Washington com Milton Cooper. Não confirmando a lenda criada entre os “ufologistas” de que Cooper estaria desacreditado e no ostracismo, o Major afirmou que o ex-membro da inteligência naval estava na França, devido a um asilo político especial concedido por Miterrand, depois de ter sofrido um atentado nos Estados Unidos. [14]

Depois deste episódio, os membros da família de um amigo nosso, também presente à palestra, foram seguidos nas ruas de Petrópolis por um estranho grupo de agentes num Omega azul escuro, que se dispuseram a fazer seguidas interceptações ao carro da esposa deste amigo. Entre outras ações, estes agentes telefonaram para o Colégio de Aplicação da UCP, onde estudavam os filhos do casal, como se estivessem simulando uma tentativa de sequestro dos mesmos, enquanto um furgão, no estilo tradicional cinematográfico, se manteve por várias vezes estacionado junto à residência da família. Finalmente, uma amiga do casal, alheia a todos estes fatos, foi parada no Bosque do Imperador pelo agente do Omega, que lhe ostentou uma carteira da CIA, dizendo que seu amigo estava numa “lista”, que “precisava tomar cuidado”, etc. [15]

Enquanto agentes que podem até não ser da CIA, mas de alguma corporação equivalente, se movimentam livremente em nossa cidade, à revelia (ou com consentimento) da Polícia Federal, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, e de nossos serviços secretos militares, o pretenso “ceticismo” acerca da questão em alguns meios de imprensa serve apenas para que estes agentes secretos obtenham o beneplácito da desinformação pública para continuar aterrorizando famílias e violando a cidadania. É elementar, para um profissional de imprensa, compreender que a vida política internacional é feita através de ações clandestinas. Afetar sobriedade, denunciando como ingênuos ou como se tomados por alguma visão irrealista, aqueles que denunciam as operações clandestinas, é estar exatamente na inversão dos valores. Não seria preciso dizer que isto é também fazer o jogo dos poderes totalitários.


[13] [cont] É assim que, apesar de seu caráter nobre, democrático e corajoso, esta pesquisa civil que se auto-denomina “Ufologia” traz, em suas próprias raízes e conceitos, as sementes da contra-informação. Depois que conseguiram controlar nos anos 50 o caráter mais contundente e autorizado dos dissidentes militares que desafiavam os segredos sobre os discos voadores, os serviços secretos conseguiram alimentar periodicamente os “ufologistas” com esquemas de contra-informação ou de desinformação, permitindo o reconhecimento de que há “algo” nos céus - “ufos” - mas sempre no sentido de reforçar os aspectos nebulosos, duvidosos e periféricos das questões, e continuando a afastar o público das questões mais sérias, que incluem os contatos velados com extraterrenos deletérios, as informações de alta-tecnologia obtidas, as concessões feitas aos extraterrenos para que raptassem pessoas com finalidades de experiência genética, e a responsabilidade das autoridades no encobrimento inconstitucional e anti-científico destas informações.

Segundo as revelações dos dissidentes atuais (confirmadas, entre tantas fontes, nos relatórios do cientista Paul Bennevitz para o comitê civil APRO em 1987; pelos relatórios do Coronel e piloto da USAF John Lear; pelas declarações do cientista Robert Lazar, que trabalhou nos projetos secretos da Área S-4 no Nevada em 88/89; pelos relatórios de Milton Cooper ao Mutual UFO Network em 1989), o grupo de controle para as relações com os extraterrenos rigelianos e zeta-reticulianos, Majority 12, foi criado em 1954 no início do governo Eisenhower para administrar a política de um “acordo”, conforme citado acima. Já a imagem de contra-informação passada pelo suposto relatório Majestic 12 sugere a criação deste grupo em 1947, durante o governo Truman, como se os militares estivessem às tontas, meramente, com o acidente com uma nave extraterrena em Roswell, em julho de 1947, tentando esconder o fato para o público para evitar pânico.

A queda desta nave, as autópsias feitas com os tripulantes mortos no acidente, e o processo de encobrimento, estão decididamente comprovados e foram reconhecidos oficialmente (1997) no livro Dossiê Roswell, Educare, 1999, escrito pelo Coronel Phillip J. Corso, que escreve com autorização do Pentágono e, portanto, não como dissidente.

Estas revelações do Coronel Corso estão de acordo com um certo “plano de contingência” mencionado por Milton Cooper, no sentido de se reconhecer a queda desta nave em 47, alimentando a “Ufologia” assim com uma prova final, o que funcionaria no sentido de uma válvula de segurança, dando satisfações ao público, mas mostrando as autoridades como vítimas da situação. As questões mais sérias, que afetam o tecido científico e político seriam, nesse processo, habilmente afastadas.

[14] Embora atuando de forma familiar e simpática àquela altura, o Major da reserva da Aeronáutica José Carlos Abreu (tal como se apresentou) estava ali apenas iniciando sua tarefa de “bombear desinformação” — tarefa já consagrada na contra-inteligência: toma-se um relato sobre vazamento de informações no ponto em que está, acrescentando-se a ele detalhes de forma espetacular e fantasiosa, confirmando-se possíveis expectativas, porém de maneira alegórica. Ao “comprar” as novas estórias, o relator se desacredita mais adiante.

A menção do Major da reserva ao encontro com Milton Cooper era, na verdade, fantástico, mas nós não podíamos sabê-lo naquele momento. Sua segunda estória, a de que havia sido atacado por duas vezes em seu barco a vela na orla de Sepetiba pelos extraterrenos zeta-reticulianos sequestradores, estava de acordo em detalhes com as descrições semelhantes de dezenas de testemunhas dos relatórios nos depoimentos civis. Esta desinformação se quebrou logo em seguida, porque ele demonstrou não ter conhecimentos reais de navegação a vela. Ainda assim, deu respaldo a uma das mais perigosas de todas as revelações, a do programa secreto na Lua (Alternativa III - não um programa da NASA).

O Major, em seguida, passou a frequentar aos domingos a residência de nosso amigo, cuja esposa, amigos e filhos haviam sofrido os embaraços, e com quem ele havia entrado em contato na palestra. Aparecendo na casa de C.B.M. no Quitandinha, ele continuou dando respaldo às informações que eram frequentemente trocadas em nosso grupo de conversas dominicais, acrescentando suas versões, e nos presenteando com uma série de itens imaginosos e contraditórios, que aos poucos foram revelando seu caráter de desinformação. Ainda assim, procurava mostrar indignação e solidariedade com o fato das intimidações dos agentes, a essa altura identificados como membros da CIA.

Nessa época, incontáveis episódios hostís e mal-explicados se sucederam com C.B.M. e sua família, sendo que num dos episódios ele foi seguido de forma ostensiva por um homem no tradicional capote, que dava mostras de estar armado. Ex-professor da UCP, C.B.M. se interessa em estudar, em caráter pessoal, as questões dos contatos extraterrenos, dos segredos militares, do significado político destes fatos, etc, desde que, já na infância, testemunhou aproximações de discos voadores, e uma série de manifestações fora da ordem física natural reconhecida. Num destes episódios, seu aparelho de tevê se acendeu espontaneamente, sem estar ligado na rede elétrica, para apresentar belas imagens e mensagens dos extraterrenos da forma humana, que se opõem aos rigelianos e reticulianos e aos acordos por eles firmados com o sistema secreto norte-americano (“confederados” versus “greys”, de acordo com o enredo que aos poucos vai se explicitando para o público).

Passado algum tempo, aparentemente impressionado por revelações que obtivera numa sessão espírita-umbandista a respeito dos extraterrenos da forma humana e de relações destes com C.B.M., o Major J. C. Abreu reapareceu para dizer que realmente espionava nosso amigo, porém de forma benéfica, para a inteligência da Aeronáutica brasileira. Segundo ele, os radares do CINDACTA, na Serra da Estrela, haviam reconhecido o momento, nos anos 80, em que uma nave extraterrena pairava na madrugada sobre a casa da família C.B.M. na Rua Montecaseros. Esta informação teria sido repassada ao sistema internacional pertencente à CIA, e esta era a razão pela qual tanto o sistema da CIA, quanto da Aeronáutica brasileira, vigiavam o amigo C.B.M.

É possível, ainda que pouco provável, que a Aeronáutica brasileira estivesse agindo de modo independente da CIA, apenas recolhendo de modo bem comportado suas informações, enquanto o pessoal da CIA fazia sua tradicional (desde os anos 50), muito bem reconhecida e documentada operação de neutralização de testemunhas sobre os discos voadores e a política secreta. (E isto em função, ainda, do confronto entre as duas facções extraterrenas conforme mencionado.) É claro que muitos aspectos deste histórico requerem esclarecimento.

[15] Através de contatos pessoais, C.B.M. conseguiu descobrir que o agente alto, de barba escura cerrada, que mostrara a carteira a amiga P. no Bosque do Imperador, era Fábio de Oliveira (nome ou codinome), brasileiro a soldo da CIA, morador em Araras, e tendo seu Omega azul escuro a placa Petrópolis – TL 2100. Um outro automóvel deste grupo, um Tempra preto, tinha apenas uma licença número 41082.

Este articulista (que publicara os quatro artigos anteriores desta série) e palestrador naquele dia 4 de Outubro, não foi incomodado de forma ostensiva ou aparente, ainda que, em nova palestra no Centro de Cultura no dia 4 de Março de 1994, houvéssemos sido brindados mais uma vez com o grupo de agentes visivelmente estacionados em frente, com previsíveis aparelhos de escuta.

Quando apresentamos estes fatos à imprensa em Petrópolis, e posteriormente a um grupo de intelectuais no Rio de Janeiro, e a um congresso de “Ufólogos” em Salvador, Outubro de 1994, nosso relato foi desacreditado, sem que nenhuma das três instâncias tivesse a propensão de verificar nossas provas, testemunhos, e documentos de valor histórico. O irracionalismo, o preconceito, a falta de esclarecimentos em geral e de informações qualificadas em particular, a difamação vulgar, predominaram assim nestas três instâncias, onde deveria predominar o esclarecimento. Diferente foi a resposta de um membro da Polícia Federal no Rio de Janeiro que, atendendo a um telefonema formal intermediado por conhecidos, no qual passamos o número da placa do Tempra, nos convidou para uma conversa particular, comentando como “é difícil esta questão dos ufos, etc.”