Barra da Tijuca
Fotógrafo Ed Keffel
Revista O Cruzeiro, 24 de Maio, 1952

Ao contrário do que foi anunciado, a Força Aérea Brasileira produziu um relatório confirmando a veracidade da foto e das (cerca de 40) testemunhas, que foi tornado público somente em 1959

fotos: www.ufocasebook.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevista

Ciro Moroni Barroso

 

1) Qual o significado de extraterrestres atualmente?

Basicamente, o paradigma biológico: seres com inteligência devida à ação mecânica do organismo sobre o cérebro, e o organismo um desenvolvimento adaptativo das primeiras formações de aminoácidos auto-reprodutores... Esses seres, entretanto, dificilmente fariam contato com a Terra, devido a um outro paradigma, o da Física, que dá um limite para a velocidade da luz e um tamanho para o espaço.

A noção de paradigma pode ser entendida livremente de duas formas: 1) pressupostos sobre a realidade que estão nos fundamentos de cada ciência; ou 2) as interpretações estabelecidas por aquelas ciências de que dispomos num dado momento. Quando o astrônomo Carl Sagan faz a "procura de inteligências extraterrestres", ele só pode fazê-lo dentro dos paradigmas corretos – senão não seria aceito, não existiriam as verbas, etc. É por isso que o Filósofo da Ciência Thomas Khun (início dos anos 60) sentiu a necessidade de defininir o que seria a ciência normal, a Ciência Normalizada, isto é, um modelo aceito e vigente num certo momento, mas esse modelo pode mudar! – e isso tem uma série de implicações sociais, na política de produção, na vida interna acadêmica, e no procedimento das investigações.

Mas ao mudarmos um paradigma, isso não significa abandonar o processo científico, significa apenas fazermos uma outra ciência, em termos de outros fundamentos – é isso que ficou mal resolvido na imagem atual dos Extraterrestres...

 

2) Como assim?

As pessoas acham que, ou a interpretação científica é feita somente dentro do paradigma atual, ou então recaímos nalgum modelo anti-científico, esotérico, místico, amadorístico do tipo ufológico, etc.

 


Pravda.ru, setembro 2006

 

3) A Ufologia é uma Ciência?

Ciência significa a tradição ocidental de conhecimento, uma experiência de conhecimento compartilhada, inserida nos contextos culturais e sociais. Num primeiro momento a ufologia é o direito civil ao conhecimento, ela é legítima como direito civil que exige esclarecimentos sobre segredos envolvendo alta-tecnologia e contatos extraterrenos guardados nas instituições militares e de inteligência desde os anos 50, principalmente nos Estados Unidos, mas também no Brasil, França, Rússia, etc.

Num segundo momento ela poderia ser uma "pré-ciência", uma preparação, uma coleta inicial de informações, até mesmo uma “fenomenologia”, no sentido rudimentar em que os investigadores civis e alguns cientistas independentes inocentemente supõem ser seu ofício... Nesse nível entretanto, ela falha como processo científico, devido à falta de enquadramento nas ciências humanas, à ingenuidade na análise histórica, política, institucional, etc. Há uma certa pretensão em se definir conhecimento num sentido menor de “verdade do objeto”, sem nenhuma chance de correlação dos objetos num sistema articulado de interpretação, o que é em si a Ciência. E há esse ridículo sincretismo entre o nome de um não-objeto, o estranho e famoso ufo (na verdade um termo de radar da Força Aérea), e a noção popularizada de fenômeno.

Basicamente, há uma oscilação insolúvel na pesquisa ingênua entre manter o paradigma científico vigente, ou adotar um novo paradigma que eles não têm condição de definir, que deveria ser um paradigma espiritualista, ou vitalista, para a vida orgânica, para o humano, e para o universo.

Num terceiro momento, a fenomenologia-ufo, nome pomposo e caricatural da ufologia, se torna anti-científica. Na ausência de uma crítica social, institucional e política, os comitês civis internacionais se deixam infiltrar facilmente pelos orgãos de inteligência, que começam a plantar a contra-informação, ou a informação/desinformação sob medidas. Relatos de autópsias e acidentes são passados de modo duvidoso com destaque na mídia, junto a outras estórias bizarras e de horror, documentos são descobertos por "especialistas", que depois se revelam falsos. Eles visam substituir e confundir versões e revelações dos fatos que estão se tornando positivas, criando um clima de mistério e especulação dirigida, que acaba condicionando os pesquisadores civis.

 


Pravda.ru, setembro 2006

 

4) Quem poderá então resolver esse problema?

O astrônomo Carl Sagan, a quem não era permitida a ingenuidade, dá um depoimento em seu romance quasi-autobiográfico no sentido de confirmar uma versão surgida nos anos 70 acerca de seu programa Busca da Inteligência Extraterrestre (1971, interrrompido, etc), e que eu apresento no Gulliver [cap. xx]: Os jovens cientistas captaram sinais inteligentes em seus rádio-telescópios, mas foram censurados seguidamente por seus superiores, pelo Pentágono, pela NASA, etc. É como Copérnico, Galileo e Bruno sendo censurados pela Inquisição. Desde sua fundação, a Ciência Ocidental sabe o quanto o processo de conhecimento é condicionado de fora da teoria e da pesquisa por fatores sociais, pela política da sociedade e das instituições. Sagan repete o gesto de Copérnico ao deixar para o final de sua vida revelações (ou concepções) que poderiam comprometer sua carreira ou mesmo sua vida.

 

5) Se um grande cientista não pode resolver esse problema, quem então o poderá?

As instâncias que se apresentam são:

a) Os comitês civis, que representam a cidadania, que podem arguir inconstitucionalidade por parte do governo, p.ex.;

b) A mídia, que é ao mesmo tempo independente e submissa sob medidas;

c) Os cientistas acadêmicos, que não podem perder cargos e salários;

d) Os cientistas e militares que participaram dos projetos secretos em sofisticadas instalações de pesquisa estatais (EUA e ex-URSS) e que, descontentes e já na reserva, resolvem revelar o que sabem ao público;

e) Os políticos de carreira de Estado, que não ousam romper o status quo; e

f) Aquelas instâncias que devemos chamar de para-estatais, que fazem uma política de bastidores mais forte e envolvente que a dos Estados constituídos desde pelo menos o final do séc. dezenove: as dinastias/casas financeiras/famílias "maçônicas" Rothschild, Morgan, Rockefeller, a Távola Redonda dos magnatas do imperialismo inglês, etc - e que se tornaram, por diversas razões, monopolizadoras das informações sobre alta-tecnologia e contatos extraterrenos desde principalmente o final da Segunda Guerra. Isso inclui os grupos de grande poder empresarial e financeiro, que coletaram a tecnologia secreta alemã dos anos 40, a tecnologia derivada dos inventos de Nikola Tesla e a tecnologia obtida secretamente com extraterrenos através do estado militar norte-americano nos anos 50.
A lista das empresas mais citadas inclui a Rand Corporation, a Béktel, a ITT, a Westinghouse, a General Eletric, o Chase Manhattan Bank, a Exxon, o Council on Foreign Relations, organismo privado que coordena estas empresas, etc.
As organizações para-estatais conseguiram se infiltrar nos organismos estatais militares e de inteligência, controlando as informações nesse sentido.
São essas últimas instâncias para-estatais a chave do problema, e não a NASA ou a Casa Branca, o Dep.de Estado, ou a ONU, como se pensa... É possível que alguém nos meios da política institucional, ou alguém que tenha pertencido aos programas secretos militares e de inteligência, consiga furar de maneira eficaz o violento bloqueio imposto a estas informações desde meados dos anos 50.

 


Pravda.ru, setembro 2006

 

6) Ou então os extras resolvem se apresentar em massa?

Ou então algum grupo extraterreno civilizado decide se apresentar ao público... Mas é preciso uma razão muito forte para isso, e condições muito especiais.

 

7) Por que?

Existem várias categorias de visitantes extraterrenos, e muito mais visitações do que poderia supor o paradigma atual em Ciência. Na categoria dos indesejáveis, existem aqueles que pretendem a dominação, a colonização da Terra, ou ainda a extração de material orgânico e genético dos terrenos. No último caso estão, por exemplo, os cinzas, retratados na ufologia, que não se apresentam abertamente devido à própria qualidade de seus interesses.

Na categoria dos neutros, existem os observadores, os que trazem assistência espiritual, os curiosos, e os que se acidentam por descuido, todos com aparições fortuitas.

E na categoria dos amigáveis, estão aqueles que nos observam com cuidado e fazem intervenções imperceptíveis ao longo dos séculos, mas que obedecem a uma ética de interferência limitada, de não deturpação de nosso processo natural de evolução. São estes a Federação Galáctica - que representam a forma humana, a civilização tal como a concebemos num longo prazo. Os Federados são nossos semelhantes da forma humana, o que é claro, mais uma vez, não está de acordo com o paradigma darwinista em ciência, mas o que já pode ser cientificamente comprovado em termos de um outro paradigma. Esses atuam de maneira semelhante a nós, ao enviarmos nossos sertanistas e antropólogos para estudar as tribos selvagens, com a preocupação de não desconstruir seus pequenos mundos.

Eles fizeram alguns programas individuais específicos em nosso mundo, tal como os relatos que apresento no Gulliver. Através das pessoas que os contataram e que se tornaram seus intermediários para nossa cultura, eles afirmaram que poderiam se apresentar globalmente aqui, mas apenas se necessário e se fossem bem-vindos, reconhecidos, aguardados, etc, porque caso contrário, estariam interferindo drasticamente em nosso processo, modificando nossa cultura do dia para noite, criando também responsabilidades do ponto de vista deles.

 

Oregon, 1927 (ou 1926). Foto tirada num lugar chamado Cave Junction, por um voluntário contra incêndio florestal

 

Pode-se reconhecer nessas informações a influência de seres mais complexos que os humanos sobre a evolução e a ética da Federação Galáctica. Esses seres podem corresponder às imagens que temos de deuses no sentido do politeísmo pagão, védico, ou mesmo a um certo sentido da divindade nos termos do cristianismo ou do budismo.